Conquanto à luz das ciências naturais os mortos não possam falar, à luz da genealogia podemos, sim, dar voz a antepassados que faleceram há centenas de anos, tentando entender o que desejavam, que valores morais ou espirituais possuíam e que princípios traçavam para suas vidas. É o que tenho tentado fazer em minhas pesquisas sobre um primo de minha trisavó sobre quem tenho me dedicado há algum tempo.
Autor: José Araújo
Retratos
Traços físicos nem sempre são herdados diretamente dos pais. Por vezes, uma cor de olho ou de cabelo pula uma geração. Quando a família tem memória dos antepassados mais recentes, é possível deduzir, por exemplo, que alguém herdou os olhos azuis da avó ou os cabelos ruivos do avô. Mas nem sempre isso acontece, e, se tivermos pouco mais de 40 anos tudo pode começar a ficar nebuloso bastante já duas gerações anteriores à de nossos avós.
Assinatura
… se mal escrevo, não sou eu só; doutores há por ahi, que também assignão de +.
José Pinto Rebello de Carvalho – In: O Censor Provinciano Nº 12, 22/02/1823.
Padrinho
A escolha dos padrinhos não era algo trivial em Portugal nos séculos passados. O princípio geral, nos informam Queiroz e Moscatel, era de que para apadrinhar uma criança, antes do século XX, bastava ser batizado e poder comungar. Sendo assim, um menor de idade poderia se tornar padrinho de seu irmão mais novo.
Endereço
Os assentos paroquiais nem sempre tiveram a mesma estrutura, como já informei em texto anterior sobre sua evolução desde o século XVI. Os assentos de óbito, por exemplo, já no século XVI podiam informar a data do óbito e o local de residência do falecido. Graças a essas informações, e de posse de mapas da época, podemos descobrir exata ou aproximadamente onde viviam nossos antepassados e, com muita sorte, podemos visitar o local onde viveram e conhecer as propriedades que pertenceram a eles.